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/// THE MASKS WE ALL WEAR


É engraçado como na vida tudo é cíclico. E muito mais aquilo que sentimos. Escrevi, num outro blog, numa outra época da minha vida, isto. Mas ao passar por estas imagens, uma parte de algo em que estou a trabalhar, o sentimento aflorou de novo, com a pujança daquilo que, na realidade, nunca daqui tinha saído. Como aqueles objectos velhos que guardamos no fundo do armário e que, quando abrimos a porta passado uns anos, nos caem para cima simplesmente porque sim, porque tinha que acontecer. Como será vivermos como ratos, por trás de uma parede de betão que nos mascara a vida toda? O que é a vida vivida de outra forma que não o medo constante a corroer a fantasia que insistimos mostrar? Será suportável demolirmos essas paredes e constatar aquilo que realmente que somos, aquilo que temos para oferecer? Estaremos efectivamente vivos de outra forma que não seja essa?

/// ESTE FIM DE SEMANA FOI ASSIM...


Foi uma experiência nova que o recente lançado ///NAF Closet decidiu abraçar: um mercado de roupa vintage e em 2ª mão no Atalaia 31, no Bairro Alto. Foram dois dias de convívio, boa disposição, e encontros com amigos de longa data, recém-amigos e simples conhecidos. E, nos momentos de intervalo, as roupas lá se foram vendendo. Quero agradecer, em nome do ///NAF Closet, onde também participo, a todos aqueles que nos ajudaram nesta experiência nova, a todos aqueles que nos visitaram e, como não podia deixar de ser, a todos aqueles que se identificaram com as roupas que vendemos. Sem dúvida, uma experiência a repetir. Provavelmente já em Setembro.

P.S. - A nossa plataforma de venda de roupa em 2ª mão online continua bem activa. Para mais informações sobre o ///NAF Closet, vejam aqui.

Fotografias de TTC e Luís de Sousa, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// NOS INTERVALOS DA VIDA





Ali estava de repente e sem qualquer tipo de aviso prévio às minhas pernas, que começaram imediatamente a fraquejar por entre as hordas desordenadas de pessoas embaladas pela música. Somos velhos conhecidos que se foram aproximando pouco a pouco, há medida que as armaduras, erguidas como duras couraças, se foram baixando. Dois seres reservados que, a muito custo, abriram as portas blindadas da sua privacidade. Duas pessoas que queriam coisas diferentes. Sempre quiserem coisas diferentes. E sonhavam sonhos diferentes, não complementares mas incompatíveis. Ficou doente e quis afastar-me. Não tive forças para lutar contra a violência com que me repeliu. Afastou-me para me poupar às adversidades que lhe destruíram o sonho ou, talvez, por vergonha das marcas profundas que lhe tinham dito que acabariam por permanecer no seu corpo. Por um breve momento ficámos os dois ali suspensos, a menos de dois metros. Não me viu ou, pelo menos, acho que não me viu. Consegui ver-lhe os grande olhos negros, outrora poderosos e agora tão tristemente embaciados que mais pareciam cinzento antracite. Tentei chamar pelo seu nome, mas não encontrei a minha voz, tal como naqueles sonhos em que queremos gritar mas nos apercebemos que não deitamos sons da boca. Não chegámos a falar e o momento desfez-se nas luzes electrónicas do concerto. Mas os meus olhos conseguiram dizer-lhe aquilo que, depois de tantos anos, tinha ficado por dizer. Esta música encarregou-se do resto.



Vídeo de Cold Play, Fix you.




/// UMA CIDADE FELIZ

LinkQuem, como eu, tinha a ideia de que os suiços eram pessoas rígidas e taciturnas, cheias de regras e desculpas para serem sempre pontuais desengane-se. Tirando a parte da pontualidade (que é mesmo impressionante, os suiços são um povo simpático, bem-disposto e, acima de tudo, feliz. Reconheço que é impossível conhecer bem uma cidade em apenas 4 dias, mas a verdade é que, por mais conhecimentos que tenhamos ou por mais peritos que sejamos, a decisão sobre se gostamos ou não de um sítio se resume sempre à resposta de perguntas como "sinto-me bem ou mal aqui?", "gosto ou não deste sítio?", "era capaz de viver aqui ou não?". Bem, no caso de Zurique, as minhas respostas são todas afirmativas. Zurique fez-me lembrar Berlim, no sentido em que também esconde as suas verdadeiras pérolas em sítios bem guardados, onde só os mais atentos, os mais persistentes e aqueles que realmente acreditam na cidade podem aceder. Uma festa ao pôr-do-sol numa praia fluvial perdida no meio do rio, um mercado numa piscina murada num pequeno canal de água densamente povoado com grandes árvores, pequenas lojas de jovens artistas cheias de estilo e simplicidade.

Um povo feliz numa cidade feliz.
Não me importava de viver aqui.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// DO WIM PARA A PINA. DA PINA PARA O MUNDO



Já lhe conhecia as (poucas) expressões faciais quando, timidamente, era entrevistada. Também já lhe conhecia algumas das histórias fantásticas que, segundo a própria, não conseguia exprimir por palavras e, por isso, dançava. Café Muller, Wasser, ou Nelken, entre tantos outros. Por isso mesmo, quando soube que o cineasta alemão, Wim Wenders, estava a documentar a sua vida quotidiana junto da sua companhia, a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, fiquei naturalmente curioso. Corria o ano de 2008. Infelizmente, Pina Bausch viria a falecer cerca de um ano mais tarde, apenas cinco dias após saber que tinha um cancaro. O projecto ficou parado mas, eis senão quando, o documentário é relançado agora, muito mais rico do que o inicialmente previsto: é que além das peças de Pina, devidamente documentadas, a companhia de ballet contemporâneo decidiu ainda oferecer-nos pequenos monólogos dançantes, nos quais cada membro se despidiria condignamente da mentora. Verdadeiras pérolas que, subitamente, nos atiram do acolhedor lugar na plateia para cenários indescritíveis onde somos forçados a admitir a nossa pequenez. Perante aqueles lugares mágicos, perantes aqueles seres sobre-humanos, perante a força da dança. Um trabalho que mostra como algo perfeito se pode ainda sublimar numa obra-prima documental.



Pina. Dance dance, otherwise we are lost.
De Wim Wenders. 2011

Fotografias de Hanway Films, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// AS MARGARIDAS GOSTARAM DOS BIRDS IN BAGS

Vieram ao mundo com o mesmo nome. Uma é pequenina e morena, a outra é alta e loira. Uma conheço desde sempre, a outra conheço desde os saudosos tempos da faculdade. Têm as duas, e cada uma à sua maneira, um jeitão para produzir coisas bonitas que oferecem, com a maior sinceridade ao mundo. Passamos muito tempo juntos e fartamo-nos de rir, muitas vezes por bons motivos, outras apenas para aligeirar aquilo que de menos bom nos acontece. Trabalhamos uns com os outros o que é, para mim, uma enorme satisfação. E quando, há pouco tempo, lhes apresentei o meu novo projecto, os /// BIRDS IN BAGS, aderiram com a mesma naturalidade com que vivem, de forma simples e genuína.

Obrigado Margaridas!

P.S. - Os leitores mais atentos já terão certamente tomado conta, mas nunca é demais frisar que os dois sacos com ilustrações feitas por mim ainda se encontram à venda, por 8 €, no /// NAF shopping. Para mais informações, basta clicar aqui.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// A DESINTEGRAÇÃO

Matt Pyke: Computer Genius on Nowness.com.


Video de Matt Pyke, via Nowness. Todos os direitos reservados.


/// BELEZA SELVAGEM


São 100 looks e 70 acessórios, organizados em seis grandes ambientes que tocam os temas mais caros do génio que, durante quase 20 anos, tornou o mundo num lugar mais bonito, mais selvagem, mais puro. Alexander McQueen morreu há quase um ano e o Metropolitan de New York resolveu assinalar a data com pompa e circunstância. Talvez uma das derradeiras oportunidades de entrar no mundo fantástico do criativo que nos ensinou que um homem também é homem se estiver de saias. Patente até ao dia 31 de Julho.

/// UM GELADO COM VISTA PARA O TEJO


Um jardim improvisado no pátio de um palácio a precisar desesperadamente de obras. Pais e crianças, muitas crianças, a brincar na sombra fresca de grandes árvores. Um ocasional par de namorados recentes a olhar apaixonadamente para o Tejo. Saborosos gelados de leite creme com caramelo líquido no interior, num ambiente estranhamente familiar. Tudo isto num lugar escondido das ruelas apertadas de Lisboa por cortinas translúcidas. Foi assim o meu domingo.

Häagen Dazs Secret Sensations
Palácio Brancaamp. Até dia 5 de Junho

Fotografias de Luís de Sousa, modificadas. Todos os direitos reservados.


/// A COR PÚRPURA


Todos os anos lá estão, como que a avisar-nos do Maio já avançado. Todos vestidos de púrpura. Não roxo, nem azul, mas púrpura. Quanto mais antigos, mais bonitos. Sincronizados, despem-se das folhas compostas, colocando as flores a descoberto. Vestem o chão de Lisboa com um manto resinoso e meio desfeito, que seca com os raios já quentes e ondula com os aguaceiros ocasionais Durante cerca de duas semanas vivem apenas para mostrar ao mundo que pode ficar mais bonito dessa cor. Púrpura.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// OLD SCHOOL




Uma sexta-feira à noite, entre os meus melhores amigos, a tentar vencer o cansaço acumulado de uma semana meio caótica. Um concerto mediano do mais do que vintage Fat Boy Slim, num estádio que me fez lembrar grandes noites nos já idos anos 90. Lenny Kravitz, Daniela Mercury ou Macy Gray. Uma noite quente e académica, cheia de universitários em semi-coma alcoólico e de hormonas aos saltos. E, no meio disto tudo, um apalpão dado por uma qualquer miúda de um grupo que passou por mim às tantas, entre risinhos nervosos, e cuja média etária deveria rondar os 17 anos. Confesso que me assustei mas, depois, veio o inevitável sorriso orgulhoso nos lábios.

A isto se chama 'Old School'.


Vídeo 'Praise you' de Fat Boy Slim, via Youtube.


/// GIARDINO SECRETO

Um jardim com árvores antigas, de sombra fresca e raízes no ar. Um jardim murado e secreto, com pequenas portas dissimuladas por entre as folhas. Música com toques improvisados num coreto verde-escuro. Amigos a descansarem na relva esverdeada de pés descalços, num momento tão único quanto especial. Um convívio alegre por entre os tímidos raios de sol que a muito custo penetram como setas até à terra sempre húmida. Crianças, cães e pessoas giras. E felizes.

Assim foi o Festival Outjazz no Jardim da Estrela.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// O CHIADO MAIS CHIADO


Depois de uma ida rápida ao Stockmarket, resolvemos ir ao Chiado. Seis amigos a descerem pela Rua Garret, parando ocasionalmente em frente às montras (sobretudo a da loja da Apple, onde praticamente deixámos a marca dos nossos narizes esborrachados no vidro...). Uma ida à loja da Nespresso para alguns cafés, uma passagem breve pelo incoparável Santini (aconselho vivamente o novo sabor Limão com framboesas!), algumas comprinhas na Muji (poucas, porque o preço não é a melhor qualidade da marca sem marcas), uma visitinha mais demorada na inevitável H&M, com direito a fotografia para a revista PARQ, depois de adquirir uma t-shirt da campanha brutal Fashion Against Aids (sobre a qual darei pormenores brevemente) e uma merecida pausa para uma tosta em pão focaccia com presunto, brie e rúcula. Tudo debaixo dos habituais aguaceiros de Abril, mas sempre com um sorriso na cara. Voltámos mais leves nos bolsos mas felizes.

Haverá mais Chiado do que isto?

Fotografia de TTC, modificada. Todos os direitos reservados.

/// DOS AMIGOS E DA ILHA ENCANTADA


- Mas são apenas quatro dias! - disse-me ela, com aquele seu charme encantador.
- Pois são, mas vão-me saber a férias de Verão!

Foi assim que me despedi, na sexta-feira ao início da noite, chuvosa como pede Abril. Chegámos já depois da hora do jantar, a noite estava estranhamente fria, e a estrada toda alagada. Não interessava. Nada nos tira da cabeça a ida, quando sabemos o que nos espera. Repetimos este ritual há dez anos, quando apenas eu conduzia. Vamos no Inverno, na Primavera e no Verão. Vamos sempre que podemos. As pessoas foram chegando, os dias foram melhorando, e o companheirismo alastrando-se, até por aqueles que vieram pela primeira vez. Há sempre uma primeira vez e quase todos nós nos lembramos dela como uma marca no nosso corpo que não estava lá antes. Dizemos que era mais bonita quando ainda tinha a vinha, o poço e o pedaço da ribeira. Que era mais completa quando garantia a passagem para uma outra, ainda mais antiga, por entre um caminho coberto de caruma. Que já esteve em melhores condições e que a decoração está um pouco fora de moda. Mas certo é que, quando estamos a fechá-la de novo, dizemos sempre que não queríamos ir embora, que temos de voltar depressa. Que esta é a nossa ilha.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.