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/// SABEDORIA DE PAI PARA FILHO

Lembro-me da primeira vez em que usei uma gravata verdadeira. Estava finalmente livre daquelas imitações feitas para os miúdos em que a gravata era colocada no pescoço com a ajuda de um elástico. Mas daquela vez tinha conseguido convencer a minha mãe de que já tinha idade para usar uma como os crescidos. Era xadrez, verde e encarnada, de um tecido leve, como pedia o final do verão. Lembro-me de ver o meu pai a fazer-me o nó no seu próprio pescoço e, depois, o ajustar à minha largura. Saber fazer nós requer alguma arte, que ainda não domino totalmente, mas que vou tentando aperfeiçoar sempre que, por qualquer razão, tenho a possibilidade de usar uma gravata. Um tipo de conhecimento masculino que passa de pai para filho há muito tempo. Uma daquelas coisas únicas capaz de aproximar dois homens de gerações diferentes, capaz de fazer um rapaz sentir-se o homem que ambiciona, capaz de fazê-lo sentir-se aceite num mundo que lhe estava vedado até então.

P.S. - Publiquei, há aproximadamente um ano, um artigo sobre a diferença entre a gravata normal e a skinny, que se mantém estranhamente actual. Podem lê-lo aqui.

Esquema tirado do livro The Handbook of Style, modificado. Todos os direitos reservados.


/// OS CHURCH'S QUE A JOANA GOSTA


A Joana, uma assídua leitora e verdadeira entusiasta deste blog, perguntou-me há uns tempos como seria possível eu ainda não ter publicado nada sobre a famosíssima marca britânica de sapatos, Church's. Era realmente uma falha imperdoável, não por me ter esquecido, mas por ainda não o ter facto de feito. Posto isto, aqui está o meu post sobre os Church's, uma marca de Northampton cujo início se perde nos tempos. Uns sapatos que já entraram nos pés de alguns dos mais marcantes senhores que já viveram e que, ainda hoje, levam muitos homens a perder a cabeça e aquiri-los, ainda que muitas vezes custem o mesmo que três pares de outra marca. Optar por uns Church's é como ter um topo de gama - ou se tem um verdadeiro ou não vale a pena. Todas as imitações não passarão disso mesmo: imitações baratas. E a verdade é que esta marca, que demora cerca de oito semanas a produzir cada par de sapatos, aguenta-se sólida no mercado desde finais do século XIX, ando, estando marcada, praticamente desde o início, com o selo real de qualidade britânica. Talvez um dia perca a cabeça e compre uns. Quando tiver dinheiro está claro.

P.S. - A Church's foi a primeira marca de sapatos no mundo a produzir um par de sapatos com esquerdo e direito, inovação pela qual lhe foi atribuído uma medalha de ouro em 1884 na Exibição do Palácio de Cristal. É difícil de acreditar mas, até finais do século XIX, os sapatos era iguais para os dois pés!

Imagens de Church's Footwear, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// AS MARGARIDAS GOSTARAM DOS BIRDS IN BAGS

Vieram ao mundo com o mesmo nome. Uma é pequenina e morena, a outra é alta e loira. Uma conheço desde sempre, a outra conheço desde os saudosos tempos da faculdade. Têm as duas, e cada uma à sua maneira, um jeitão para produzir coisas bonitas que oferecem, com a maior sinceridade ao mundo. Passamos muito tempo juntos e fartamo-nos de rir, muitas vezes por bons motivos, outras apenas para aligeirar aquilo que de menos bom nos acontece. Trabalhamos uns com os outros o que é, para mim, uma enorme satisfação. E quando, há pouco tempo, lhes apresentei o meu novo projecto, os /// BIRDS IN BAGS, aderiram com a mesma naturalidade com que vivem, de forma simples e genuína.

Obrigado Margaridas!

P.S. - Os leitores mais atentos já terão certamente tomado conta, mas nunca é demais frisar que os dois sacos com ilustrações feitas por mim ainda se encontram à venda, por 8 €, no /// NAF shopping. Para mais informações, basta clicar aqui.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// DE PAEZ NOS PÉS


Chegaram fresquinhas da Argentina há dois anos e, pelo andar da carruagem, dir-se-ia que vieram para ficar por mais alguns. Das pessoas a cuja opinião dou valor, as sentenças dividem-se. Uns acham-nas brutais, outros dizem que desvirtuam o conceito original de alpercata, e há até alguns que as consideram vulgares pantufas. Pois digo-vos que, de pantufas, só têm mesmo o facto de serem confortáveis. E de vulgar estas alpercatas de forro aos coelhinhos em posições bastante sugestivas também não têm nada, a não ser por as começarmos a ver em demasiados pés lisboetas. Mas valem bem a pena o preço. Estou capaz até de comprar a versão com atacadores, já a meio caminho entre as alpercatas e os ténis.

Alpercatas em lona azuis e brancas PAEZ (26 €) tendência SS 2011

P.S. - As PAEZ encontram-se à venda em várias lojas de material de surf e praia, no El Corte Inglês, e no showroom da marca, na Rua das Janelas Verdes. Para mais informações, vejam aqui.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.


/// BIRDS IN BAGS


Tudo começou com um melro. Não um melro comum, daqueles pretos de bico amarelo que nos habituámos a ver nos nossos jardins. Aquele era um melro metalizado, com penas que mudavam de cor consoante a luz. Era majestoso. O meu pai foi aumentando a colecção: um papagaio macho, depois uma fêmea, alguns piriquitos e um canário, entre outros de nomes incomuns dos quais já não me lembro. Até eu tive direito a um casal de bicos de lacre, embora o que queria mesmo era ter uma arara azul, ou um flamingo. A minha mãe eventualmente compensou-me com um pinguim, mas de peluche, ao qual cosemos uma crista feitas de fios de lã. Aquela colecção não era igual a tantas outras que o meu pai fazia. Aquela era viva, uns nasciam, outros acabavam por morrer. Uns ficavam anos na nossa companhia, outros escapuliam-se das gaiolas e tentavam a sua sorte por entre as árvores de fruto dos jardins vizinhos. Era um misto de fascínio por aqueles seres que não se deixavam dominar e de medo de levar umas valentes bicadas quando me calhava a mim dar-lhes de comer.

A colecção teve o seu fim e a verdade é que com o tempo deixei de gostar dela. Não porque não gostasse de os ter connosco, mas porque me comecei a aperceber da violência que alguns deles não podiam deixar de sentir ali enjaulados, sem poder mostrar-se graciosamente em piruetas artísticas. Aquela era uma vida condenada. Mas o meu fascínio por pássaros, esse nunca acabou.

/// BIRDS IN BAGS nasceu assim mesmo, como uma ideia do passado que, assumindo cada vez mais forma, se acabou por transformar numa colecção de imagens impressas em simples sacos de pano. Imagens que os deixam voar, que nos mostram a sua fragilidade, mas também a sua beleza. A casa dos pássaros e o pássaro morto são apenas duas dessas imagens. As primeiras e, espero eu, não as últimas.

P.S. - Os sacos fazem parte de uma série de 50 que produzi e que coloco agora à venda no /// NAF shopping, por 8 €. Para mais e mais úteis informações, vejam aqui.

Fotografias de TTC, modificas. Todos os direitos reservados.


/// GOTTA LOVE THEM


Alpercatas em lona Topman
(entre 14 a 42 €)

Tendência SS 2011

Fotografias de Topman, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// MAIS UMA CARTADA DOS ANOS 80


Já muito se disse sobre a geração de 80. Nasceram antes da internet, do facebook e dos telemóveis. Assistiram às consolas tijolonas e ainda hoje adoram o Mario Brothers e o Sonic. Passavam horas a gravar músicas da rádio em cassettes no seus My first SONY às cores. Foram uns mimados que não chegaram a conhecer as lutas e dificuldades do Maio de 68, do 25 de Abril, da Guerra do Ultramar ou da do Vietname, e ainda bem. Tinham mães com permanentes e enchumaços por baixo de casacos todos armados, que desdenhavam o flower power, e pais engravatados e de suspensórios, que achavam as calças à boca de sino da década anterior profundamente ridículas. Ainda hoje em dia são fãs convictos do Indiana Jones, da Guerra das Estrelas, dos Goonies, do ET ou do Sozinho em Casa. Aprenderam a andar de bicicleta na rua e a dançar numa qualquer cave ao som de um slow.

Tudo isto foi já certamente dito. O que parece ter caído no esquecimento, se não de todos, certamente dos pirralhos adolescentes de hoje em dia, é que aqueles sapatos de lona, com sola de corda que agora usam como se fossem a cena mais cool que os distancia dos adultos secantes.,se chamam na realidade alpercatas e já eram usadas por nós naquele tempo. As minhas eram de várias cores e eram compradas pela minha mãe e pelas minhas tias nos mercados do Algarve.

Pois bem pirralhos, embrulhem!

P.S. - Alpercatas, ou alpargatas, são um tipo de calçado unissexo feito de lona, com sola de corda ou de borracha. Nasceram nas comunidades piscatórias do mediterrâneo e foram moda balnear nos anos 80.

T-shirt de algodão Pull & Bear (8 €)
Calções cinzentos com suspensórios Pull & Bear (30 €)
Alpercatas de lona Zara (20 €)

Tendência SS 2011

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// OS APELIDOS DAS MÃES


Dois jovens nova-iorquinos, Jack McCollough e Lazaro Hernandez, muito talentosos e ambiciosos q.b. conheceram-se nos tempos de universidade na Parsons School of Design. O primeiro estagiou com Marc Jacobs, o segundo com Michael Kors. A amizade levou-os a embarcar num projecto comum de moda: vestir as mulheres fundido a perícia com a atenção aos detalhes. E o nome para o projecto? Também uma fusão, mas dos apelidos maternos.

Penso muitas vezes no que acontecerá ao meu apelido materno, visto que a minha mãe "apenas" tem sete irmãs. Talvez a solução esteja mesmo num novo projecto...

Fotografias de Proenza Schouler, modificadas. Todos os direitos reservados.


/// UM SIMPLES PAR DE OXFORDS


Sempre achei piada aos mocassins Oxford. Vi-os várias vezes nos pés dos meus avôs, vejo-os ainda, por vezes, nos pés do meu pai e dos meus tios. Ocasiões sempre especiais ou simples bom gosto. Nunca pensei vir a usá-los tão cedo, mas quando os vi numa prateleira meio escondida da Zara, decidi que estava na altura. Ainda estiveram guardados, dentro da caixa, durante uns dias, até que os usei. Claro que não passaram despercebidos. Acho que recebi mais elogios nesse dia, do que em qualquer outro. Disseram-me que pareciam ter sido feitos para mim. Faltas de modéstia à parte, a verdade é que me sinto muito bem com eles.

Mocassins Oxford em pele castanha da Zara (70 €)

Fotografias de TTC, modificas. Todos os direitos reservados.


/// FEELING LIKE 16 AGAIN


Quando fiz 16 anos, os meus pais ofereceram-me uma moto. Não era a melhor moto do mundo, nem a mais gira, mas era minha. Senti, pela primeira vez, o ar na cara, a passar para dentro do capacete e senti-me livre. A vida, em si, pouco ou nada tinha mudado mas, por uma qualquer razão, senti-me um dos miúdos mais felizardos do mundo. Com o tempo, migrei para o interior de um carro e a moto foi andando sucessivamente pelas mãos dos meus irmãos que, por sua vez, também foram migrando. A moto, essa, lá continuou, arrumada na garagem atafulhada dos meus pais, até ao dia em que me lembrei de a trazer para a minha nova casa, no centro, não menos atafulhado, de Lisboa. A moto está doze anos mais velha, tal como eu, com mais cicratizes de pequenos acidentes e mais barulhos de coisas re-arranjadas. Mas a sensação de estarmos os dois na estrada, do ar fresco a passar pela cara e daquela sensação única de frio nos dias quentes continua exactamente a mesma de quando tinha 16.

Quando, há uns dias, entrei no atelier com este capacete na mão, o efeito foi magnético. "Tu agora tens uma moto?" Foi com um misto de gozo e saudosismo que expliquei que não, não era agora que tinha moto, que a moto era também a minha adolescência e que já tinhamos tido um sem-número de bravas aventuras. O capacete estiloso era a única coisa nova ali, e passar despercebido foi coisa que não conseguiu, nem mesmo para o meu amigo David, a quem quase tudo passa ao lado, que com um tão simples "já o mostraste no blog?" me resolveu dois problemas: o de explicar a sensação que de revisitação ao passado que tenho sentido com a chegada da Primavera e o de saber o que escrever neste mesmo post.

Capacete em pele preta e branca, comprado na loja do Sr. António, em Santo Amaro de Oeiras. Feito em Águeda, segundo o próprio (60€).

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// NESTE MEIO TERMO QUE (AINDA) NÃO É NADA...


Pulseira Cabedal Preto Martelado H&M (4,95 €)
Pulseira Cabedal Castanho H&M (6,95 €)
Laço de Smoking em Sarja cinzenta H&M (4,95 €)

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados

/// ENSOPADO ATÉ AOS OSSOS

Com esta chuva toda...


Só consigo pensar nisto,


Embora talvez com menos tralha.

Fotografias de TTC, modificadas. Todos os direitos reservados.

/// CAIXA D' ÓCULOS

Isto


Tem estilo


E foi feito aqui,

com toda a calma.


Herrlicht Holzbrillen 2011

Fotografias de Herrlicht, modificadas. Todos os direitos reservados.