/// SABEDORIA DE PAI PARA FILHO

Lembro-me da primeira vez em que usei uma gravata verdadeira. Estava finalmente livre daquelas imitações feitas para os miúdos em que a gravata era colocada no pescoço com a ajuda de um elástico. Mas daquela vez tinha conseguido convencer a minha mãe de que já tinha idade para usar uma como os crescidos. Era xadrez, verde e encarnada, de um tecido leve, como pedia o final do verão. Lembro-me de ver o meu pai a fazer-me o nó no seu próprio pescoço e, depois, o ajustar à minha largura. Saber fazer nós requer alguma arte, que ainda não domino totalmente, mas que vou tentando aperfeiçoar sempre que, por qualquer razão, tenho a possibilidade de usar uma gravata. Um tipo de conhecimento masculino que passa de pai para filho há muito tempo. Uma daquelas coisas únicas capaz de aproximar dois homens de gerações diferentes, capaz de fazer um rapaz sentir-se o homem que ambiciona, capaz de fazê-lo sentir-se aceite num mundo que lhe estava vedado até então.

P.S. - Publiquei, há aproximadamente um ano, um artigo sobre a diferença entre a gravata normal e a skinny, que se mantém estranhamente actual. Podem lê-lo aqui.

Esquema tirado do livro The Handbook of Style, modificado. Todos os direitos reservados.


2 comentários:

Patrícia Silvério disse...

um artigo veras interessante:)
http://pumps-pumpsfashionpatriciasilverio.blogspot.com/

purita disse...

é raro ver um rapaz a fazer a apologia da gravata!